quarta-feira, 19 de maio de 2010

One Shot "Moonlight" » Por AngeL

Caminho em silêncio pelas ruas desertas da minha cidade..

Não se vê ninguém nas ruas, o frio parece intimidar os mais corajosos, as temperaturas baixas deixam o meu corpo num tom pálido quase roxo, e a minha pele insensível ao toque.

Sinto-me um verdadeiro fantasma, invisível para o Mundo.

Respiro fundo e continuo o meu caminho pela neve, as marcas solitárias que deixo a minha passagem parecem ser as únicas marcas de uma presença no local.

Sinto que se gritar ninguém virá, sinto que se chorar, ninguém me apoiará, sinto que se eu morrer simplesmente vou desaparecer.

Faltam apenas alguns metros, até a minha casa, finalmente irei ter algum conforto, mas não deixarei de me sentir sozinha.

Sento-me junto a lareira, e observo calmante o rodopiar daquelas chamas, como eu gostava de ter um sinal que tudo irá ser diferente.

Há meses que passo os dias entre a escola, e casa, não falo com ninguém, e parece que ninguém se importa comigo.

Até mesmos os professores já me “ assumiram “ como um caso perdido.





A minha roupa preta, a maquilhagem pesada, parece que os afasta ainda mais daquele que eu chamo o meu espaço protegido.

Aquele que me pertence em sonhos, aquele que me faz querer voar e acreditar em algo novo, aquele que me faz querer viver, quando simplesmente sobrevivo.

A minha mãe mal a vejo , o meu pai cobarde, saiu de casa e abandonou-nos as duas, neste chalé antigo, onde os meus bisavôs nasceram. A minha infância não foi fácil, e parece que por mais que eu queira simplesmente não irei ser feliz.

Vou me deitar, a noite vai longa, e amanha as aulas são bem cedo, a vontade de ir é nula, mas se desistir disso não terei mais nada por qual lutar.



Nessa noite dormi mal, durante o sonho eu caminhava por um túnel, o qual uma voz me chamava, eu tentava ver quem era mas por mais que corresse parecia ser sempre em vão.

Pequenas imagens surgiam entre clarões, uns olhos negros expressivos, umas mão grandes e delicadas, uma silhueta magra e alta difícil de identificar.

Na manha seguinte fui para a escola, mas as novas imagens que sonhará, faziam questão de permanecer na minha mente, querendo saber mais..

Riscava o meu bloco, em vão, pois nada era escrito ou desenhado..os dias foram passando e os sonhos eram cada vez mais constantes.

Um mês depois, após o regresso das aulas, tive a sensação que alguém me seguia, olhei e nada vi, por isso continuei o meu percurso por aquelas ruas frias e pouco iluminadas.

O sol de Inverno, fazia questão de nos “deixar” cedo, por isso só a escuridão e as luzes da cidade me acompanhavam.

Retirei da mala, o bilhete que a minha mãe me deixará e releio cada palavra lentamente como se um suspiro apagado se tratasse:

- “ Helena, minha pequena Elle, sei que não tenho sido uma mãe presente, e muitas vezes não te dei a atenção que merecias. Espero que compreendas a minha atitude, mas voltarei e ai te irei dar uma vida melhor.

Tens algum dinheiro guardado, no meu quarto na mesinha de cabeceira e algumas chaves de um armário que contém objectos da avó, Voltarei em breve..

Um beijo Mãe” -.

Volto há realidade, após as palavras relidas novamente. As ruas parecem a minha única companhia, juntamente com as lágrimas que agora caem compulsivamente do meu rosto.

Do nada por entre o silêncio, uma voz meiga, suave e doce como uma carícia pede-me para parar, obedeço sem hesitar, como se de uma ordem se tratasse.

Aos meus pés cai um objecto pesado, vindo do cimo do prédio, e um homem aparentemente dos seus quarenta anos, desce a escadaria do prédio a correr, e pergunta-me se estou bem.

Faço sinal com a cabeça que sim, e olho para trás na esperança de ver alguém mas em vão.

Mais duas semanas se passam e um novo aviso surge, salvando-me de novo.



Continua...

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