sábado, 15 de maio de 2010

One Shot " Aquela Noite" By AngeL



Era mais uma daquelas noites de Verão, com muita animação e amigos, saíamos agora dos bares, já um pouco animada, quando vejo um rapaz magro, alto, vestido de preto, a beira da estrada, parecia magoado, talvez estivesse ferido ou assim, resolvi abrandar e parei o carro.


Era quase de manhã, e os primeiros raios de Sol, surgiam agora no Horizonte.

Sai do carro e perguntei..
- Desculpa, tu estás bem?
( Ele manteve a cabeça baixa, sem responder, olhava apenas para uma parte incerta da estrada)

- Estás ferido?
( Ele olhava fixamente para aquele ponto, e agarrava-se ao braço esquerdo).

- És surdo, ou quê? ( a falta de paciência, devido ao meu estado alterado pelo álcool ingerido naquela noite, fazia-me agora gritar com ele)

Pela primeira vez ele foca, os seus olhos nos meus, eram misteriosos, negros e brilhantes, quase me atrevo a dizer que me deixavam quase hipnotizada.

Ele levanta-se daquele monte de pedras a qual estava encostado, e fica de pé frente a frente comigo, mas sem desviar o olhar, confesso que me assustou ligeiramente.

Ele aproxima-se de mim, e eu dou um passo para trás..( o medo tomava agora conta de mim)

Ao aproximar-se o seu corpo cai sobre o meu, dando-me apenas tempo de reagir, segurando com as forças que tinha, olho para ele, ele tentava-se colocar de pé, mas em vão, estava fraco demais.

- Ajuda-me , por favor… - Estás palavras surgiam agora dos seus lábios, quase com medo de serem prenunciadas, a voz fraca e baixa, faziam-me ter pena dele e querer ajuda-lo.

Com algum esforço coloquei-o no carro, entretanto o sol tinha nascido.

- Tu não estás bem, deixa-me levar-te para o hospital.

- Não… ( disse ele com alguma dificuldade, enquanto tentava manter os olhos abertos).

- Mas tu não estás bem, foste assaltado ou assim, estás ferido. . diz-me..

Ele limitou-se a olhar novamente para aquele ponto da estrada, e não me respondeu.


Olha é assim, vamos para o hospital sim, lá de certeza que me informam melhor sobre o teu estado, não consigo deixar-te aqui, assim…

Arranquei com o carro, há velocidade que podia, olhei para ele, os seus olhos estavam fechados e uma cor pálida, apoderava-se do rosto.

- Hey!! Acorda..não podes adormecer.. acorda..( dava-lhe empurrões, tentado desperta-lo, enquanto conduzia atribuladamente pela estrada, mas em vão)

O hospital mais próximo, era já a cinco minutos dali, não tardava e ele poderia ser assistido.

Chegamos ao hospital, parei na zona de urgências, e pedi ajuda para retirarem do carro, eu estava nervosa, o meu corpo tremia e a respiração estava ofegante, algo me dizia para ajudar, mas nem sabia como.

Os enfermeiros levavam-no na maca, para dentro das urgências para ser assistido, apenas me pediram para ir há recepção, dar os dados do rapaz.

Assim fiz, não sabia grande coisa, mas expliquei a situação, não consegui ir para casa, durante aquela manhã e tarde, não sai do hospital, mantive-me imóvel na sala de espera, parecia que o mundo tinha congelado, não comi, nem bebi nada, apenas ali fiquei.

O meu telefone toca, era uma das minhas amigas, que tinha estado comigo na noite anterior, expliquei o que se passou e passado 30 min. ela estava no hospital comigo.

Ao ver o meu estado, tento saber informações, a qual nos indicaram um quarto.

Ambas subimos até ao 5º andar, e quando lá chegamos para nossa surpresa, este encontrava-se vazio.
Na mesa-de-cabeceira apenas um pequeno diário, o qual levamos para casa, no hospital não sabiam de mais nada.

Laura foi conduzindo todo o caminho até a minha casa, enquanto eu olhava simplesmente para a janela do carro.

Quando chegamos abrimos o diário, há espera de encontrar uma pista, e lá para além de ter os seus pensamentos, tinha uma morada.

Fomos naquela mesma noite ao local, nem que seja para devolver o diário.

Batemos a porta, abre uma senhora dos seus quarenta e tal anos.

- Sim minhas meninas..posso ajudar?
- Sim, boa noite, desculpe incomodar-mos a esta hora, mas é que temos aqui este diário, penso ser de um rapaz que vive aqui..

A mulher muda de cor ao ver o diário nas nossas mãos, as mãos tremem a medida, que pega neste e ao abrir, solta um som, de medo e pânico e sai a correr para o interior da casa, deixando o diário caído no chão.

- Que se passa mãe?? - Diz uma voz, vinda do interior da casa.

O rapaz dirigisse a nós, aparentemente sem saber de nada.

Assim que o rosto dele fica visível, eu pergunto – Tu estás bem, porque saíste do hospital daquela forma??

- Desculpa mas não estou a entender, eu nunca te vi antes.
- Viste ontem foi eu que te levei para o hospital, estavas com outro género de roupa, mais sombrio é certo, mas nunca esqueceria o teu rosto.

Laura dá -lhe o diário, e ele abre, fica assustado, tal como a sua mãe, e pergunta onde arranjamos aquilo.

Entramos e tivemos uma longa conversa, a explicar o sucedido.

Quando após falar com ele, vejo varias fotos ao meu redor, de inicio pensei que se tratava da mesma pessoa, mas que não se recordava do que se passará, mas ao chegar perto de um porta retrato, vejo ambos os rapazes um ao lado do outro, o misterioso rapaz seria um gémeo, desde “ Tom”, que nos recebia agora em sua casa.

Avancei na direcção do porta retrato, e apontei para foto – É este rapaz, ele é teu irmão, foi ele que ajudei, ele está melhor??

O rapaz ficou calado, respirou fundo e disse:
- Olha Mel, nem sei como dizer-te isto, bom..sim o rapaz, ele é meu gémeo, mas ele já não se encontra entre nós, faleceu á cerca de um ano, atropelado, não percebo como tens o seu diário, pois um dos seus últimos pedidos, foi ter sido enterrado com ele.

O porta retratos caiu-me das mãos, o choque era imenso, um turbilhão de pensamentos, passavam rapidamente na minha cabeça.

- Mas não é possível, eu vi, eu toquei-lhe..levei-o para o hospital, isso é um absurdo, desculpa mas , não acredito.

Laura levanta-se e abraça-me, e diz-lhe: Tom, desculpa mas tens provas do que estás a dizer, a minha amiga, ela não iria brincar com um assunto desses…

- Infelizmente tenho.. venham comigo.

Fomos no seu jipe, e só paramos a porta do cemitério, um calafrio, seguido de um arrepio, invadiam o meu corpo, parecia sufocante, aparecia que todos os meus músculos estavam contraídos, impossibilitando-me de respirar.

Avançamos por entre as campas, e ali vi, a fotografia do rapaz, o nome – Bill Kaulitz, e a data, 01-09-1989 ___15-08-2007.

Fiquei paralisada..não podia acreditar..era verdade.
Laura abraça-me de novo, e levou-me para casa.
Em casa, tentei me livrar daqueles pensamentos, com um banho, e tentei dormir.
Durante o sonho, o rapaz voltava a aparecer – ele dizia rescue me please…i need you..e um vulto aparecia..
Acordei sobressaltada..
A imagem do sonho, e de ele encostado a mim, naquela noite a pedir-me ajuda, não me saiam da cabeça..

Abrir o diário, e vi, que ele tinha escrito até ao dia 14-08-07, um dia antes da sua morte, olhei de repente para o calendário, e vi, aquela noite , era dia 15-08-07, fazia um ano após a sua morte, li o diário..

14-08-07

Estou a escrever de novo, queria estar com ela, mal posso esperar, ela chega hoje de viagem após estes longos sete meses, finalmente poderemos ficar juntos, gosto tanto dela.

Ela nem sonha mas amanhã, resolvi que vou pedi-la em casamento, mal posso esperar para ver a sua reacção a responder-me que sim.

Hoje não pode estar com ela, mas amanha de manhã, bem cedo vou ter com ela.

Ai diário se pudesses falar gostava que me desejasses boa sorte..ninguém sequer desconfia..
Nem mesmo a minha família e amigos, mas não tarda poderei gritar para o Mundo, toda a minha felicidade.

ADORO –TE TANTO minha estrela, meu mundo..até amanha meu eterno amor..Serenity.


Após ler, as lágrimas corriam sem parar no meu rosto, ele estava tão apaixonado, pensei..ela, quem quer que seja merece saber de todo este amor, tão grandioso e puro.

Voltamos eu e Laura a casa de Tom, e pedimos que nos indica-se a morada da tal Serenity, ele assim o fez.


Fomos até a casa dela, uma rapariga de longos cabelos loiros muito lisos, vestida de azul claro recebíamos agora.

Entramos e explicamos toda aquela situação, entre lágrimas e lembranças ela pediu que nos retirássemos.

Quando sai da sua casa, é que me dei conta de onde estava..
Encontrava-me a uns escassos metros de onde eu tinha parado, para o ajudar.

O calafrio de novo, e vou para casa.
Tentei não pensar mais nisso mais a noite, ele apareceu novamente no sonho..

Eu via uma estrada, de um lado ele, e do outro lado um vulto, envolto num clarão muito branco e luminoso, deixando-me quase sem ver.

Eu desta vez gritava por ele, mas ele só olhava, para o tal vulto.
Eu vi o carro se aproximar a alta velocidade, enquanto ele atravessava a estrada..

Não..não vás…Nãooooo………

E vejo o seu frágil corpo ser projectado, e embater brutalmente no chão, o braço esquerdo estava particialmente disfigurado, mas o seu rosto mantinha-se calmo como se estive-se apenas adormecido.

Tinha ferimentos, mas ao longe, não consegui ver muito…tentei correr na sua direcção, mas um abismo surgia agora perante os meus pés, tentei saltar…queria ajuda-lo..o abismo era profundo, e ao saltar, acordei de sobressalto.

Na manha seguinte voltei a casa do Tom, perguntei onde, é que Bill tinha sido atropelado, e ele respondeu-me que era ao pé da casa da namorada.

De repente a solução para todo este quebra-cabeças parecia surgir..
- Tom, o quarto do teu irmão ainda tem as coisas dele..
- Sim, não tivemos coragem de mudar nada..disse num tom triste.
- Por favor, sei que parece loucura mas tenho que encontrar o casaco que ele tinha vestido no dia do acidente.

- Mas como sabes que ele tinha casaco.
- Porque ele me disse, agora anda ajuda-me a encontrar.

Depois de uns 30 minutos a procura, dentro de um baú de madeira, encontramos a roupa do trágico dia, a mãe teria escondido ali, para não se lembrar das ultimas horas de sofrimento do filho.

A casado estava rasgado, mas parcialmente inteiro, do lado directo.
Coloquei as mãos nos bolsos, e tirei..

Como eu esperava lá estava o anel de noivado, assim como uma carta.

Olhei para Tom e sorri – Já sei como ajuda-lo Tom, vem comigo.

Caminhamos até a casa de Serenity, ela estava sentada na varanda do seu quarto.

Nós chamamos por ela, mas eu e Tom estamos do outro lado da estrada, o mesmo local, de onde Bill estivera antes de ser atropelado.

Tom chamou-a e ela apareceu, o Sol estava a pôr-se, e a lua iria surgir dali a nada.
A medida que os últimos raios de Sol apareciam, eu coloquei a caixa com o anel no chão, assim como a carta e pedi a ela que se mante-se a porta de casa.

Peguei na mão de Tom, e recuei alguns passos para trás.

Uma imagem começava agora a surgir a nossa frente e ambos os 3 ficamos imóveis a observar.

Bill aparecia, tal como no meu sonho, como um sorriso, olhando para a casa.

Ele pegou no anel e na carta, e avançou para Serenity.

Ela ria e chorava de felicidade, e tristeza, ele avançou pós se de joelhos e pediu-a em casamento.

Ela aceitou e caio em seus braços, dando-lhe um beijo intenso e emocionante.

Sim , aceito meu amor, claro que aceito, e um dia vou ter contigo, eu nunca te esquecerei Bill nunca.

Ele sorriu, e desapareceu..com a mesma facilidade que tinha surgido a nossa frente.

Ela pegava na carta e olhava para o anel, chorava ainda e tapava com rosto com as mãos.

Todos nós tínhamos percebido..Bill amava-a ..mais do que tudo..mais do que a própria morte..Ele queria ter a resposta ao seu pedido, e não conseguiu “ partir” até a receber.

Finalmente ela soube o quanto foi amada por ele, e só no fim, é que ambos puderam estar juntos, para toda a eternidade.

(Parte inicial da historia foi baseada no caso verídico de um mito urbano do Algarve.)

By: AngeL

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